Com base nos dados obtidos através da Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi), a Receita Federal verificou que um grupo de apenas 54 empresas concentrou 29% do total de incentivos fiscais concedidos entre 2024 e maio de 2025. Cada uma delas declarou ter reduzido ao menos R$ 1 bilhão de seus tributos devidos por conta dos benefícios tributários.  

Nesse sentido, os números da Dirbi revelam uma grande concentração da renúncia fiscal em poucos setores da economia. Os principais setores favorecidos foram a indústria de transformação, com R$ 209,5 bilhões, e o comércio e reparação de veículos, com R$ 104,1 bilhões. Entre os tipos de benefício que mais impactaram a arrecadação, destacam-se os da Zona Franca de Manaus, adubos e fertilizantes, carnes, defensivos agropecuários e os regionais de Sudam e Sudene. Importante destacar que a Dirbi ainda não inclui empresas optantes pelo Simples Nacional, nem os benefícios concedidos a pessoas físicas.  

A constatação da elevada concentração desses benefícios fiscais levou o governo a reconhecer a necessidade de reavaliar as renúncias tributárias. Destaca-se que a retirada abrupta desses incentivos pode resultar em judicialização, por possível violação de direitos adquiridos, além de impactos negativos sobre a atividade econômica. 

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