{"id":6284,"date":"2021-11-10T11:07:46","date_gmt":"2021-11-10T14:07:46","guid":{"rendered":"https:\/\/fmis-law.com.br\/?p=6284"},"modified":"2023-01-13T11:26:26","modified_gmt":"2023-01-13T14:26:26","slug":"linchamento-da-prevent-senior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/linchamento-da-prevent-senior\/","title":{"rendered":"The lynching of Prevent Senior"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<h4 class=\"entry-header-text\">Alvo de den\u00fancias na CPI, operadora de sa\u00fade se diz v\u00edtima de extors\u00e3o e atravessa a pior crise desde sua funda\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p class=\"capitular\">\u201cMonstruosidades de um programa de assassinatos\u201d, \u201cexperi\u00eancias pseudocient\u00edficas\u201d, \u201claborat\u00f3rio dos horrores\u201d, \u201cpr\u00e1ticas sinistras\u201d. Foi assim que a Prevent Senior foi retratada nos \u00faltimos meses desde que a m\u00e1quina de triturar reputa\u00e7\u00f5es da CPI da Covid mirou seus canh\u00f5es na dire\u00e7\u00e3o da operadora de sa\u00fade. Ainda no ano passado, no in\u00edcio da pandemia, a empresa foi parar no olho do furac\u00e3o por concentrar 58% das mortes por covid-19 no Estado de S\u00e3o Paulo. Os hospitais da rede foram fiscalizados pela Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria quatro vezes em 12 dias, e a Secretaria de Sa\u00fade de S\u00e3o Paulo pediu a interven\u00e7\u00e3o em tr\u00eas hospitais porque a rede teria deixado de informar casos de infec\u00e7\u00e3o e mortes por coronav\u00edrus. O ex-ministro da Sa\u00fade Luiz Henrique Mandetta chegou a dizer que a alta taxa de \u00f3bitos seria resultado do modelo de neg\u00f3cios da empresa, focado em idosos, e questionou por que esse modelo de plano de sa\u00fade foi autorizado a operar no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, a distribui\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>kits<\/em>\u00a0de medicamentos aos pacientes da rede para combater o coronav\u00edrus tamb\u00e9m foi alvo de cr\u00edticas. Esse combo de acusa\u00e7\u00f5es desgastou a imagem da empresa, que vinha se recuperando do baque. Ao longo dos meses, o Minist\u00e9rio P\u00fablico pediu o arquivamento das investiga\u00e7\u00f5es por entender que n\u00e3o houve falhas por parte da empresa, as not\u00edcias sobre a operadora foram minguando, a pandemia deu uma tr\u00e9gua. A tempestade parecia ter passado. Mas o pior ainda estava por vir.<\/p>\n<h3><b>Den\u00fancias de irregularidades e a CPI da Covid<\/b><\/h3>\n<p>Desde mar\u00e7o deste ano, a Prevent Senior passou a ser acusada de uma s\u00e9rie de crimes e irregularidades supostamente cometidos por m\u00e9dicos e ex-colaboradores da empresa. A lista \u00e9 longa e envolve acusa\u00e7\u00f5es como administrar \u201cmedicamentos sem comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u201d contra o coronav\u00edrus, manipular o resultado de um estudo para testar a efic\u00e1cia da hidroxicloroquina, alterar o c\u00f3digo de diagn\u00f3stico da covid-19 para evitar que a doen\u00e7a aparecesse em eventual registro de \u00f3bito, obrigar m\u00e9dicos a prescrever o \u201c<em>kit<\/em>\u00a0covid\u201d sem autoriza\u00e7\u00e3o dos familiares, participar de um \u201cgabinete paralelo\u201d do governo federal para testar e disseminar medica\u00e7\u00f5es do\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0covid. Mas o arsenal de den\u00fancias ganhou mesmo proje\u00e7\u00e3o nacional quando um grupo de 12 m\u00e9dicos, ex-m\u00e9dicos e enfermeiros da Prevent Senior, com a ajuda da advogada Bruna Mendes Morato, elaborou um dossi\u00ea contra a empresa e o entregou \u00e0 CPI da Covid.<\/p>\n<p>Foi um prato cheio. Os senadores do G7, o \u201calto comando\u201d da CPI, n\u00e3o perderam tempo e chamaram a advogada e o diretor-executivo da empresa para prestar depoimento. A vers\u00e3o final do relat\u00f3rio do senador Renan Calheiros, relator da comiss\u00e3o, dedicou mais de cem p\u00e1ginas a incriminar a operadora de sa\u00fade e a tentar relacionar a empresa com o presidente Jair Bolsonaro: \u201cNeste cap\u00edtulo, vamos tratar do tema Prevent Senior, (\u2026) que acabou por ganhar sombria notoriedade em raz\u00e3o de suas liga\u00e7\u00f5es com o governo federal\u201d, diz o documento de Calheiros logo no in\u00edcio, al\u00e9m de dispensar uma se\u00e7\u00e3o inteira para tratar do \u201ccolaboracionismo com o gabinete paralelo\u201d. O Minist\u00e9rio P\u00fablico abriu novas investiga\u00e7\u00f5es na esfera civil e tamb\u00e9m criminal, liderada por uma for\u00e7a-tarefa composta de oito promotores. A empresa \u00e9 investigada pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS) e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de S\u00e3o Paulo. A C\u00e2mara de Vereadores instalou uma CPI para investigar a Prevent. A Assembleia Legislativa de S\u00e3o Paulo tenta h\u00e1 mais de um m\u00eas criar uma comiss\u00e3o sobre o tema, mas at\u00e9 agora n\u00e3o conseguiu emplacar.<\/p>\n<p>Emparedada, a Prevent Senior ter\u00e1 de se defender de todas as acusa\u00e7\u00f5es, uma a uma, e responsabilizar-se pelos erros que eventualmente cometeu. De todo modo, algumas quest\u00f5es precisam ser postas \u00e0 mesa. Quando o v\u00edrus chin\u00eas desembarcou no Brasil, ningu\u00e9m sabia nada de nada sobre a covid-19. N\u00e3o havia vacinas. O uso de rem\u00e9dios j\u00e1 conhecidos no mercado para outras doen\u00e7as foi (e ainda \u00e9) usado no combate ao coronav\u00edrus \u2014 \u00e9 o que os especialistas chamam de reposicionamento de medica\u00e7\u00f5es. \u00c9 simples: criar do zero um rem\u00e9dio com valida\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no tratamento de qualquer doen\u00e7a pode levar anos. N\u00e3o havia esse tempo. Em condi\u00e7\u00f5es excepcionais, recorreu-se ao que tinha dispon\u00edvel na prateleira. Entre corticoides, antibi\u00f3ticos e anticoagulantes receitados aos montes em todo o mundo, duas p\u00edlulas foram parar no banco dos r\u00e9us: a cloroquina, um antimal\u00e1rico usado h\u00e1 mais de 70 anos, comprado sem receita m\u00e9dica at\u00e9 o ano passado, e a ivermectina, um verm\u00edfugo usado para combater vermes e parasitas, dado at\u00e9 para crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6525 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/fmis-law.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/kitprevent.jpg\" alt=\"\" width=\"641\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/fmis-law.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/kitprevent.jpg 641w, https:\/\/fmis-law.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/kitprevent-300x168.jpg 300w, https:\/\/fmis-law.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/kitprevent-18x10.jpg 18w\" sizes=\"auto, (max-width: 641px) 100vw, 641px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre style=\"text-align: left;\"><em>\r\nKit<\/em>\u00a0covid da Prevent Senior | Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/pre>\n<p>\u00c9 leg\u00edtimo questionar os m\u00e9todos cient\u00edficos para demonstrar e comprovar a efic\u00e1cia dessas medica\u00e7\u00f5es contra a covid. O presidente do Conselho Federal de Medicina, o m\u00e9dico Mauro Ribeiro, disse em entrevista recente a\u00a0<b>Oeste<\/b>\u00a0que ainda n\u00e3o h\u00e1 estudos conclusivos para colocar uma p\u00e1 de cal no assunto, nem de um lado nem de outro. No entanto, houve uma demoniza\u00e7\u00e3o dessas f\u00f3rmulas sem precedentes na hist\u00f3ria da bioqu\u00edmica mundial. A cloroquina apresentada pela CPI da Covid \u00e9 um veneno que mata. O que dizer, ent\u00e3o, dos m\u00e9dicos David Uip e Roberto Kalil Filho, dois medalh\u00f5es da medicina brasileira, que tomaram a medica\u00e7\u00e3o ao serem diagnosticados com a covid-19? Atentaram contra a pr\u00f3pria vida? \u00c9 claro que n\u00e3o. A aposta na cloroquina pode n\u00e3o ter funcionado, mas isso n\u00e3o transforma m\u00e9dicos do Brasil e do mundo em assassinos. \u201cDizer que hidroxicloroquina e ivermectina matam, para quem \u00e9 m\u00e9dico, mais parece uma piada\u201d, afirmou Ribeiro. \u201cE quando isso vem da boca de um m\u00e9dico, beira o esc\u00e1rnio.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o foi s\u00f3 a Prevent Senior que usou o chamado\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0covid para medicar pacientes contaminados pelo coronav\u00edrus. Outros hospitais, como o Albert Einstein, o S\u00edrio-Liban\u00eas, a Benefic\u00eancia Portuguesa, e redes de sa\u00fade como a Hapvida tamb\u00e9m se socorreram da cloroquina no combate \u00e0 covid. Uns abandonaram a estrat\u00e9gia antes do que outros. Mas nenhum m\u00e9dico ou rede hospitalar de boa-f\u00e9 topariam dar uma medica\u00e7\u00e3o aos pacientes se n\u00e3o houvesse um m\u00ednimo de respaldo cient\u00edfico. Pela l\u00f3gica, todo plano de sa\u00fade quer manter o cliente vivo. Afinal, qual seria o sentido de uma empresa prescrever um rem\u00e9dio que mata o segurado, aquele que paga mensalidades e \u00e9 o respons\u00e1vel pelo lucro do neg\u00f3cio?<\/p>\n<h3><b>O modelo de neg\u00f3cios para idosos virou alvo de dossi\u00ea e extors\u00e3o<\/b><\/h3>\n<p>No mundo todo, a pandemia do coronav\u00edrus matou gente, causou sofrimento, desmantelou a economia global. Mas, sem d\u00favida, os idosos foram os mais castigados pela doen\u00e7a. De acordo com um levantamento realizado por\u00a0<b>Oeste\u00a0<\/b>com dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, desde o in\u00edcio da crise sanit\u00e1ria at\u00e9 23 de outubro, cerca de 68% dos mortos por covid-19 no Brasil tinham 60 anos ou mais. Justamente o p\u00fablico-alvo da Prevent Senior, que tem uma carteira de cerca de 550 mil benefici\u00e1rios, com idade m\u00e9dia de 68 anos. Segundo dados da ANS, a Prevent Senior tem 76% de sua carteira de clientes composta de idosos, comparado a uma m\u00e9dia de 14,2% do setor. A empresa conta com mais de 3 mil m\u00e9dicos e 12 mil funcion\u00e1rios e figura entre os dez maiores planos de sa\u00fade do pa\u00eds. As mensalidades para idosos podem variar de R$ 1 mil a R$ 2 mil.<\/p>\n<p>O dossi\u00ea contra a empresa apresentado \u00e0 CPI \u00e9 assinado por 12 profissionais, e a identidade de boa parte deles permanece em sigilo. \u201cAt\u00e9 agora, ningu\u00e9m abriu quem s\u00e3o os 12 denunciantes. Nem sabemos se todos eles existem mesmo, s\u00f3 conhecemos tr\u00eas\u201d, diz Fernando Parrillo, presidente e um dos fundadores da Prevent Senior. Os senadores n\u00e3o se interessaram em ouvir os acusadores e se contentaram com o depoimento da advogada Bruna Mendes Morato. \u201cEm regra, o advogado acompanha o cliente, que presta depoimento sobre os fatos\u201d, escreveu a advogada, professora de Direito Penal e deputada estadual Janaina Paschoal, em uma publica\u00e7\u00e3o no Twitter. \u201cEm mais de 20 anos de advocacia, nunca vi o advogado substituir o cliente.\u201d A Prevent diz que foi v\u00edtima de extors\u00e3o. Antes de as acusa\u00e7\u00f5es serem levadas \u00e0 comiss\u00e3o do Senado, Parrillo afirmou que a operadora recebeu, por interm\u00e9dio da advogada, uma proposta de acordo de R$ 3,5 milh\u00f5es. \u201cComo n\u00f3s n\u00e3o aceitamos, eles levaram adiante as den\u00fancias\u201d, conta.<\/p>\n<blockquote><p>O grupo de pessoas com 59 anos ou mais foi o que mais cresceu dentre os benefici\u00e1rios dos planos de sa\u00fade<\/p><\/blockquote>\n<p>Com um modelo de neg\u00f3cio voltado para o p\u00fablico idoso, a Prevent Senior foi na contram\u00e3o da concorr\u00eancia. Enquanto boa parte dos planos de sa\u00fade enxergava a popula\u00e7\u00e3o idosa como de alto risco e de pouco retorno financeiro, a empresa criada em 1997 pelos irm\u00e3os Fernando e Eduardo Parrillo resolveu apostar justamente nesse grupo. A companhia oferece planos para pessoas f\u00edsicas, ao contr\u00e1rio das operadoras convencionais, que preferem vender planos corporativos ou coletivos por ades\u00e3o, que d\u00e3o maior liberdade \u00e0 empresa na hora da aplica\u00e7\u00e3o de reajustes de mensalidades. Al\u00e9m disso, em vez de terceirizarem o trabalho, os irm\u00e3os Parillo focaram em investir em estrutura pr\u00f3pria, a chamada verticaliza\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio. Atualmente, a Prevent possui dez hospitais e pouco mais de 30 unidades de atendimento espalhadas pela capital paulista. O faturamento da empresa saltou de R$ 439 milh\u00f5es em 2011 para R$ 1 bilh\u00e3o em 2014 e mais de R$ 4 bilh\u00f5es em 2020. O lucro acompanhou o crescimento, indo de R$ 33 milh\u00f5es em 2011 para R$ 496 milh\u00f5es no ano passado. A cada m\u00eas, a Prevent recebe em m\u00e9dia 5 mil novos benefici\u00e1rios. \u201cMesmo com a crise, n\u00e3o tivemos perdas\u201d, garantiu Parrillo. \u201cOs n\u00fameros s\u00e3o iguais aos de outros anos, e devemos chegar a R$ 5 bilh\u00f5es de faturamento neste ano.\u201d<\/p>\n<p>Em meio\u00a0\u00e0s batalhas judiciais, a empresa enfrenta a maior crise de imagem desde sua funda\u00e7\u00e3o. No auge das den\u00fancias, houve protestos em frente \u00e0 sede e manifestantes jogaram tinta vermelha na fachada do pr\u00e9dio e escreveram \u201cassassinos\u201d na cal\u00e7ada. J\u00e1 h\u00e1 casos de pacientes processando a operadora em busca de repara\u00e7\u00e3o por se sentirem \u201ccoagidos\u201d a usar os rem\u00e9dios prescritos pelos m\u00e9dicos da rede durante o tratamento da covid-19. No final de setembro, a Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo determinou, em decis\u00e3o liminar, que a Prevent Senior pague cerca de R$ 2 milh\u00f5es para um paciente da rede que fez uso do\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0covid e alegou n\u00e3o ter recebido tratamento adequado. A decis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 definitiva e ainda cabe recurso.<\/p>\n<p>Recentemente, a Prevent assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo (MPSP) em que se compromete a n\u00e3o usar mais os rem\u00e9dios do\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0covid, entre eles a hidroxicloroquina e a ivermectina, em pacientes diagnosticados com a covid-19. O documento prev\u00ea ainda que a empresa respeite a autonomia m\u00e9dica, n\u00e3o realize \u201ctratamentos experimentais\u201d sem autoriza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os competentes e crie o cargo de\u00a0<em>ombudsman<\/em>\u00a0em at\u00e9 90 dias, contratado e pago pela Prevent, para colher cr\u00edticas ou sugest\u00f5es de pacientes e colaboradores. O MPSP estuda tamb\u00e9m a cobran\u00e7a de uma multa por danos morais coletivos pela administra\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0covid e pela pesquisa que teria sido feita pela operadora no in\u00edcio da pandemia. O advogado e especialista em Direito m\u00e9dico Washington Fonseca explica que a assinatura do termo n\u00e3o configura aceita\u00e7\u00e3o de culpa nem produz provas contra a empresa. \u201c\u00c9 uma oportunidade para ajustar a conduta de uma situa\u00e7\u00e3o que o Minist\u00e9rio P\u00fablico entende n\u00e3o ser adequada, mas n\u00e3o \u00e9 um reconhecimento de culpa\u201d, diz Fonseca. O advogado da Prevent Senior, Aristides Zacarelli Neto, disse que a anu\u00eancia no documento visa a dar continuidade \u00e0 pol\u00edtica de \u201ctranspar\u00eancia\u201d e \u201cboa-f\u00e9\u201d da empresa.<\/p>\n<h3><b>Os impactos do caso Prevent no atendimento aos idosos\u00a0<\/b><\/h3>\n<p>A Prevent Senior ter\u00e1 de mostrar resili\u00eancia e respaldo financeiro para segurar o tranco. A concorr\u00eancia est\u00e1 de olho no mercado 50+, que n\u00e3o para de crescer. O grupo de pessoas com 59 anos ou mais foi o que mais cresceu dentre os benefici\u00e1rios dos planos de sa\u00fade nos \u00faltimos anos. Aumentou 11% de 2016 a 2021, chegando a 7,3 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. Enquanto isso, o n\u00famero total de benefici\u00e1rios de planos permanece estagnado \u2014 em 2016, eram pouco mais de 48 milh\u00f5es, e o n\u00famero seguiu igual em 2021, segundo a ANS.\u00a0\u00c9 um baita fil\u00e3o e algumas empresas j\u00e1 criaram produtos para essa faixa et\u00e1ria. Mesmo assim, ainda existem poucos concorrentes que ofere\u00e7am planos para idosos na mesma faixa de pre\u00e7os e condi\u00e7\u00f5es da Prevent Senior, pelo menos em S\u00e3o Paulo. A reportagem de<b>\u00a0Oeste<\/b>\u00a0ligou para corretores em busca de informa\u00e7\u00f5es sobre planos de sa\u00fade individuais para idosos na capital paulista. As op\u00e7\u00f5es s\u00e3o minguadas. Duas ou tr\u00eas empresas s\u00e3o apresentadas, entre elas a Prevent Senior. Com as den\u00fancias na CPI e outros \u00f3rg\u00e3os, surgiram d\u00favidas se o caso pode interferir no atendimento aos idosos no setor privado.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Administradoras de Benef\u00edcios (Anab), Alessandro Acayaba de Toledo, defende a investiga\u00e7\u00e3o das den\u00fancias contra a Prevent, mas avalia que, se a quest\u00e3o se restringir ao\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0covid, sem estender para outras pr\u00e1ticas al\u00e9m do atendimento durante a pandemia, a operadora tende a ser pouco afetada em termos financeiros. \u201cSe parar por a\u00ed, e n\u00e3o tiver desdobramentos com implica\u00e7\u00f5es maiores, n\u00e3o acredito que haver\u00e1 uma derrocada da operadora, nem mesmo uma evas\u00e3o grande de benefici\u00e1rios\u201d, diz. Para o presidente da Anab, as op\u00e7\u00f5es para quem passou dos 60 anos s\u00e3o restritas no mercado: \u201cA Prevent \u00e9 um\u00a0<i>case<\/i>\u00a0de sucesso. O custo-benef\u00edcio que o idoso encontra dificilmente ser\u00e1 praticado por outras operadoras\u201d, disse Toledo.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o modelo de verticaliza\u00e7\u00e3o para gerenciar custos foi colocado em xeque diante das den\u00fancias envolvendo a Prevent. Como nesse modelo a operadora e os hospitais pertencem \u00e0 mesma empresa, o receio \u00e9 que a economia de recursos possa se sobrepor \u00e0 qualidade do servi\u00e7o. Ou seja, em casos que demandam interna\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os mais caros, a companhia pode adotar medidas para reduzir custos, comprometendo o resultado. Para Toledo, a estrutura verticalizada n\u00e3o \u00e9 um problema. \u201cAcho exagerado e muito precoce fazer um ju\u00edzo de valor do modelo de neg\u00f3cio\u201d, disse o presidente da Anab. \u201cNo limite, voc\u00ea pune gestores por pr\u00e1ticas que n\u00e3o foram corretas em determinado momento, mas n\u00e3o o modelo. Qualquer que seja, verticalizado ou n\u00e3o, o mais importante \u00e9 o desfecho do caso cl\u00ednico com sucesso. \u00c9 isso que vai garantir a reten\u00e7\u00e3o do cliente, a ades\u00e3o de novos benefici\u00e1rios e assim por diante.\u201d O advogado Washington Fonseca enxerga a verticaliza\u00e7\u00e3o como vantagem competitiva, importante para manter uma gest\u00e3o respons\u00e1vel dos custos. \u201cA Prevent \u00e9 uma empresa robusta, e, como eles oferecem um tratamento\u00a0<i>in house<\/i>, eles t\u00eam maior controle sobre os custos, al\u00e9m de maior poder de barganha com fornecedores, o que torna a empresa mais lucrativa.\u201d<\/p>\n<p>As suspeitas contra a Prevent Senior ainda precisam ser investigadas. \u201cCom o tempo, a verdade aparece, tem de ter paci\u00eancia\u201d, diz Parrillo. \u201cUma empresa de sa\u00fade n\u00e3o pode estar envolvida num ambiente pol\u00edtico.\u201d Com a ajuda da CPI da Covid e da m\u00eddia tradicional, que encabe\u00e7aram um linchamento contumaz contra a operadora, o tema se politizou e ultrapassou as fronteiras do conhecimento cient\u00edfico. No entanto, uma coisa \u00e9 certa: n\u00e3o h\u00e1 como condenar as a\u00e7\u00f5es da Prevent com as lentes do presente sem considerar o contexto de incertezas do in\u00edcio da pandemia que atormentava (e ainda atormenta) a ci\u00eancia. Deixar ao l\u00e9u milhares de clientes idosos sem acesso a um atendimento a pre\u00e7os pratic\u00e1veis seria um desfecho tr\u00e1gico para o caso.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alvo de den\u00fancias na CPI, operadora de sa\u00fade se diz v\u00edtima de extors\u00e3o e atravessa a pior crise desde sua funda\u00e7\u00e3o \u201cMonstruosidades de um programa de assassinatos\u201d, \u201cexperi\u00eancias pseudocient\u00edficas\u201d, \u201claborat\u00f3rio dos horrores\u201d, \u201cpr\u00e1ticas sinistras\u201d. Foi assim que a Prevent Senior foi retratada nos \u00faltimos meses desde que a m\u00e1quina de triturar reputa\u00e7\u00f5es da CPI da [&hellip;]<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":6520,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[65,12],"tags":[],"class_list":["post-6284","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-direito-medico","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6284","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6284"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6284\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6520"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fmis-law.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}